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Aplicação de Insumos de forma Localizada - Taxa Variável de Corretivos e Fertilizantes

10/MAI/2017

 

A operação associada à aplicação de fertilizantes e corretivos tem variações

significativas e dependentes do produto em si. Existe uma gama de

produtos com diferença em seu estado físico. Os corretivos se restringem ao

estado sólido e no caso dos fertilizantes, predominam os sólidos, embora

existam sinais de expansão do uso de fertilizantes líquidos.

A forma de aplicação desses produtos é bastante variada, justamente

pelas diferenças físicas que o produto pode apresentar. Para a aplicação dos

produtos sólidos existem diferentes opções de equipamentos à disposição

do produtor. As principais máquinas para aplicação de fertilizantes

e corretivos sólidos são as aplicadoras a lanço, que podem ser de

distribuição centrífuga ou pendular, de linhas individuais ou conjugadas com

distribuidor de queda livre e as aplicadoras com distribuição pneumática,

ainda pouco utilizadas. Formas de aplicação de fertilizantes e corretivos sólidos

A lanço

- Superfície total

- Faixas

Em linhas (normalmente em sulco)

Mecanismos dosadores - definem a vazão

- Gravitacionais (abertura de seção variável com agitador mecânico)

- Volumétricos (esteira, rotor, rosca) 

Mecanismos distribuidores - definem a largura de aplicação e a uniformidade

- Queda livre (“cocho”)

- Transportador mecânico (rosca)

- Força centrífuga (discos)

- Inércia (pêndulo)

- Pneumáticos (aerotransportados)

Quanto mais sofisticada e consequentemente, mais cara for a máquina,

mais recursos de regulagens haverá no mecanismo distribuidor. Os distribuidores

centrífugos de discos exigem algumas regulagens básicas no que concerne

à vazão e largura de trabalho. No caso do mecanismo distribuidor centrífugo

de discos, há ajustes de comprimento, número e posição das aletas sobre os

discos e local de queda do produto no disco. Esses ajustes alteram totalmente

a deposição transversal do produto. É essencial que o manual da máquina seja

sempre consultado quando se trata de escolher um produto para uma dada

largura efetiva de aplicação ou vice-versa. Caso essa informação não esteja

contemplada no manual deve ser feita uma verificação por meio de um teste,

pois a largura de trabalho é determinada como função de uma regularidade

mínima da dosagem desejada, obtida a partir de uma sobreposição com as

passadas adjacentes. Nem sempre a informação contida nos manuais é exata e,

de forma geral, um teste para verificação ou definição da largura de trabalho

é sempre bem vindo.

A aplicação de calcário é predominantemente feita em superfície total. Os

equipamentos disponíveis para aplicação de produtos em pó, até pouco tempo,

se resumiam a aqueles equipados com mecanismos distribuidores de queda livre

(“cocho”), marginalmente o mecanismo de inércia (pêndulo), e em maior quantidade

os centrífugos (discos). A largura efetiva, especialmente das máquinas a

 

lanço, depende de sobreposição e sempre há incertezas associadas à decisão. Para se ter uma máquina capaz de fazer a aplicação de produtos em taxa

variável é necessário que exista um controle externo do seu mecanismo dosador.

No caso de mecanismo dosador volumétrico, ou seja, de máquinas com

esteira dosadora, esse controle se dá por meio de um motor, normalmente de

acionamento hidráulico, com comando de vazão do óleo por conta de uma

válvula de controle eletrônico. Da mesma forma, se o mecanismo dosador for

gravimétrico, de orifício e agitador, o controle externo dar-se-á por conta de um

atuador linear com controle eletrônico que vai abrir e fechar o orifício, definindo

então as vazões requeridas.

Existe no mercado uma variedade de equipamentos dessa natureza e são

normalmente denominados de controladores para aplicação em taxa variável.

Muitos deles são caracterizados como genéricos, ou seja, podem ser instalados

em praticamente qualquer máquina. Outros são associados a máquinas específicas

e são montados na fábrica. Também servem para equipar as semeadoras-

-adubadoras, tanto para variar a dose de adubo como de sementes. Nesse caso

deve ser destacado o fato de que na semeadura se utiliza adubos formulados em

um reservatório único, o que é totalmente incompatível com os conceitos de aplicação

em taxa variável, pois se geram mapas individuais para cada componente. Os controladores possuem uma CPU e podem apresentar, ou não, uma

tela que mostra o percurso da máquina em campo e o que já foi aplicado. O

programa que gerencia esses controladores requer a informação de coordenadas

e de doses. Isso significa que o arquivo digital que contém o mapa de aplicação

é basicamente um arquivo de três colunas – X (latitude), Y (longitude) e Z (dose).

Cada equipamento tem a sua forma de inserção de arquivos (mapas), podendo

ser por mídia compacta (PCMCIA, flash, pen drive, etc.) ou por comunicação via

porta serial entre um computador externo e a CPU. Na CPU é armazenado o

arquivo que pode ser de algum formato genérico ou proprietário (código). Esses

equipamentos normalmente possuem seu próprio receptor de GPS, de baixo

custo e sem recursos de correção diferencial, o que não compromete a qualidade

da operação, mas não permite o uso de recurso de barra de luz, por exemplo.

Muitos agricultores optam por fazer a aplicação dos insumos pelo que é

chamado erroneamente de “zonas de manejo”. Esse método consiste na definição

e demarcação em campo de divisas para setores do talhão onde serão aplicadas

doses diferenciadas entre elas, porém constantes dentro dos tais setores. O conceito de “zonas de manejo” ou mais apropriadamente, unidades de gerenciamento,

subentende que todos os tratamentos sejam feitos uniformemente dentro

de cada unidade. Portanto a aplicação de insumos por zonas definidas individualmente

para cada insumo com base em teores obtidos a partir de amostragem

em grade não pode ser confundida com unidades de gerenciamento e uma denominação

mais apropriada seria unidades de aplicação ou “zonas de aplicação”. Além da aplicação de sólidos é importante enfocar a aplicação de produtos

para controle de invasoras, pragas e doenças em dose variável, que começa a

sair da teoria. Alguns equipamentos já são oferecidos no mercado e permitem a

aplicação de doses variáveis de líquidos em geral. Para permitir variação na vazão

é necessário um sistema de controle que gerencia o compromisso entre vazões

variadas e pressão o mais constante possível. O tamanho das gotículas, bem

como o ângulo do leque produzido nos bicos é função dessa pressão e fatores

como a qualidade do molhamento e a deriva é função do tamanho das gotículas.

Uma preocupação relacionada a essa tecnologia é a minimização do tempo

entre a ordem para a mudança de dose e a chegada dessa nova dose no

alvo. Nas pesquisas recentes os protótipos têm chegado a valores desse tempo

de retardo da ordem de 0,1 a 0,2 segundos. Como as pulverizações em equipamentos

autopropelidos estão sendo praticadas com velocidades de até 20

km/h ou mais, esse tempo tem que ser bastante baixo para que se consiga

qualidade na aplicação variada. Porém, sem dúvida, as maiores limitações estão

na obtenção dos mapas de recomendação de aplicação de defensivos líquidos.

Os produtos cujas técnicas avançaram mais são alguns herbicidas e inseticidas.

As opções disponíveis para se definir zonas e doses desses insumos para montar

um mapa digital para o controle da aplicação são várias, porém carecem de

praticidade para serem utilizadas em larga escala.

Há bom potencial para a semeadura em taxa variável. Algumas culturas

são relativamente sensíveis à população de sementes e em última análise, à população

de plantas sadias. O milho é um desses casos, porém o melhoramento

genético dos últimos tempos tem tentado tornar as variedades menos sensíveis

a esse aspecto. Mesmo assim a solução de variação da população de sementes

tem sido explorada comercialmente. Outra operação que tem bom potencial de exploração é a descompactação

mecânica do solo por escarificação ou subsolagem, a partir do diagnóstico

da presença de regiões da lavoura mais compactadas que as outras.

É uma possibilidade para o plantio direto e para a cana-de-açúcar, dentre

outros sistemas de produção.

Fonte: Boletim Técnico sobre Agricultura de Precisão, Ministério da Agricultura