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Prática da Amostragem Georreferenciada de Solo

09/ABR/2016

 

A técnica que tem se tornado bastante popular é a geração do mapa

individual para cada indicador da fertilidade do solo. Para isso é necessário investimento

na coleta de amostras na forma que se convencionou denominar

de amostragem em grade. Ela tem o objetivo de determinar as necessidades

do solo com maior detalhamento quando comparado a prática da amostragem

convencional. Para tanto, divide-se o talhão em quadrículas imaginárias,

regulares ou não, e em cada quadrícula retiram-se amostras de solo que irão

para o laboratório. Podem-se usar diferentes estratégias para amostragem

em grade. A mais comum delas é a amostragem pontual onde as amostras

 

serão coletadas no centro de cada quadrícula. Utiliza-se GPS para localizar cada um desses pontos e retira-se algumas

sub-amostras em torno do ponto para então juntá-las e compor a amostra

que será enviada ao laboratório e representará aquele ponto. A composição

da amostra é muito importante para eliminar ou pelo menos diminuir bastante

a interferência de ocorrências locais, naturais ou não, tais como uma pequena

mancha de alta fertilidade causada pela semeadora no ciclo anterior, ou então o

local onde houve um acúmulo acidental de adubo. O número de sub-amostras

é um aspecto bastante polêmico e de difícil definição. O solo é um ambiente

bastante heterogêneo, mesmo a pequenas distâncias e para cada componente

que se queira analisar, essa heterogeneidade terá um comportamento próprio.

Na prática tem-se utilizado números de sub-amostras que vão de 3 a 12.

Outra estratégia de amostragem é fazer-se a coleta espalhada e aleatória

dentro de toda a quadrícula ou célula. As várias sub-amostras são então

combinadas para formar a amostra que irá ao laboratório.

No primeiro caso, com amostragem de pontos, é possível adotar o procedimento

denominado de interpolação, que consiste em estimar valores nas regiões não amostradas da lavoura. No caso da amostragem por célula

não há como se fazer a interpolação porque não existe um valor para os

atributos do solo centrado em um ponto e cada célula é então tratada com

uma unidade de manejo.

A estratégia da amostragem por células é recomendada para casos em

que a densidade amostral, por algum motivo, é limitada e nesse caso utilizam-se

células ou quadrículas grandes, da ordem de 5 a 20 hectares. Já na amostragem

por pontos deve haver uma investigação preliminar para definir a distância entre

amostras. Nesse caso é importante que haja o suporte de algum especialista

que possa conduzir ou orientar essa investigação. Um projeto piloto dentro da

propriedade, envolvendo uma área representativa e suficientemente grande,

permite que essa investigação com o uso de conceitos da Geoestatística indique

uma distância e, portanto, uma densidade amostral adequada.

Aspectos relativos a ferramentas e métodos de coleta de amostras apenas

devem respeitar os procedimentos que garantem a qualidade das amostras.

Quanto à mecanização ou automatização da coleta, fica por conta do

usuário, visando apenas à ergonomia, conforto e custo.

Os itens de análise a serem solicitados do laboratório têm a ver com o

que se está investigando. Portanto, a inclusão de micronutrientes é válida para

uma investigação mais detalhada, porém representará custos adicionais. Sabe-

-se que a distribuição granulométrica ou textura do solo tem uma participação

importantíssima nas relações de trocas, disponibilidade de nutrientes, capacidade

de armazenamento de água, tendência à compactação e tantas outras

características do solo, o que sugere que na primeira amostragem seja feita

também a análise granulométrica, que terá valor praticamente permanente.