ARTIGOS

Mapas de Produtividade – Como são Gerados e Para que Servem

09/ABR/2016

 

O mapa de colheita é a informação mais completa para se visualizar a 

variabilidade espacial das lavoura. Várias outras ferramentas têm sido propostas

para se identificar as manchas existentes em um talhão. É assim que

as fotografias aéreas, as imagens de satélite, a videografia e outros têm sido

testados e utilizados. Todas têm seu potencial, porém, o mapa de produtividade

materializa a resposta da cultura com a melhor exatidão possível, considerando

as tecnologias existentes para a sua mensuração.

No final dos anos 1980 surgiram as primeiras tentativas de se medir

o fluxo de grãos em colhedoras de cereais e o primeiro monitor de colheita

surgiu no mercado em 1991, na Europa. Uma característica importante é a

presença de dois grupos distintos. O primeiro deles é aquele formado pelos

equipamentos das empresas fabricantes das colhedoras e são fornecidos de

fábrica. O outro grupo é de fabricantes de equipamentos próprios para a

instalação em qualquer marca e modelo de colhedora.

O mapa de produtividade de um talhão é um conjunto de muitos pontos

e cada ponto representa uma pequena porção da lavoura. Para se saber qual a quantidade de grãos colhidos é utilizado um sensor de fluxo no elevador

de grãos limpos da colhedora. Para que o mapa represente grão seco

(padrão comercial) é necessário medir a umidade com que está sendo colhido

e para isso é utilizado um sensor específico, normalmente entre o meio e a saída

do elevador. A largura do retângulo é mesma da plataforma da colhedora

e o comprimento é a distância percorrida pela máquina durante um período

de tempo pré-determinado, normalmente de um a três segundos. A posição

do ponto é obtida por meio de um receptor de GPS que dá o posicionamento

correto da latitude e longitude da máquina.

Os dados são instantaneamente armazenados em algum dispositivo de

memória no monitor propriamente dito (computador de bordo dedicado).

A forma dos arquivos gerados é particular para cada fabricante e pode ser

visualizada como mapa. O mapa é um conjunto de pontos; aqueles pontos

delimitados por uma área de alguns metros quadrados composta pela largura

da plataforma e a distância percorrida entre duas leituras. A montagem do

mapa nada mais é do que o gráfico que contem cada um daqueles pontos

num sistema cartesiano, onde o eixo “x” é a longitude e o eixo “y” é a latitude.

Basta que se escalonem os pontos em diferentes cores ou tons para

diferentes valores de produtividade, obtidos naquela tabela de dados gerados

no campo. Essa é uma das formas de se visualizar o mapa. Outra forma bastante

comum é a representação do mapa por linhas de “iso-produtividade”,

ou seja, isolinhas que delimitam regiões com produtividades dentro de um

mesmo intervalo. Para se obter esse mapa é apenas necessário se manipular

alguma função específica do software de mapa que acompanha o monitor

ou a colhedora. Por trás de tudo isso existe um método de interpolação entre

os pontos e de atenuação das pequenas variações locais. Os dados coletados apresentam suas limitações e erros e é sempre necessário

um tratamento preliminar antes de transformá-los em um mapa para

análise e tomada de decisões. Tais erros são intrínsecos ao processo de geração

dos dados e às limitações dos sistemas e não devem ser motivo para

descrédito, apenas uma preocupação e uma tarefa (obrigatória) a mais. Além

disso, a manipulação de alguns parâmetros de construção do mapa é de extrema

importância para uma boa visualização. Se forem atribuídos intervalos

de produtividades sem muito critério pode-se esconder informações importantes

de manchas da lavoura. Todos os programas de visualização de mapas

permitem alguma forma de manipulação desses parâmetros. A calibração é um processo que depende de cada equipamento, mas

basicamente é necessário se transformar o número gerado pelo sensor de

fluxo em um valor equivalente ao que a balança demonstra. Se o sensor tem

boa linearidade e está ajustado para a máquina e o produto que está sendo

colhido, a calibração será um processo de ajuste entre o que de fato está

sendo colhido (peso da balança) e o que o monitor está mostrando. Normalmente

uma seqüência de pesagem de alguns tanques graneleiros cheios é

suficiente para se calibrar a máquina para um novo produto, lembrando que

é importante repetir a calibração sempre que se mudar de cultura.

Os mapas de produtividade são de primeira importância, não semente

porque mostram a variabilidade das lavouras, mas também porque numa abordagem mais correta para a recomendação de adubação do ciclo seguinte,

leva-se em consideração a produtividade da cultura anterior para

se fazer a reposição dos nutrientes extraídos. Isso significa que não basta

a amostragem georreferenciada do solo, que somente considera os teores

de nutrientes disponíveis no solo. Trata-se de uma estratégia que demanda

tempo para a construção de um consistente conjunto de dados, mas a

solução é proporcionalmente mais acertada por considerar também a variabilidade

da produtividade da lavoura e não apenas aquela do conteúdo de

nutrientes no solo.

Muitas das demais culturas já têm solução comercial para a geração

de mapas de produtividade. No caso da cana-de-açúcar, no Brasil já existem

produtos tanto para colheita mecanizada como para corte manual. Também

existe solução comercial para o café em colheita mecanizada e algumas soluções

práticas para os citros.

Fonte: Boletim Técnico sobre Agricultura de Precisão, Ministério da Agricultura